quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Dia 17/09/2009 - O Dia

No dia 17/09/2009, uma quinta feira, levantei de minha cama eram aproximadamente umas 7:30 horas.

Tenho costume de levantar e tomar banho, mas naquele dia, apenas lavei o rosto, escovei os dentes, me troquei, passei pela cozinha tomei um café prêto (companheirão do cigarro) e fui para meu escritório olhar os meus E-mails.

Sentei em frente ao meu computador, acendi um cigarro, dei umas belas tragadas e comecei o meu dia, eram aproximadamente umas 8:00 horas.

O tempo foi passando, olhei os meus E-mails, respondi aqueles que tinha de responder, apaguei aqueles E-mails de propaganda e de virús, dei uma passadinha nas notícias do dia, e com certeza fumei mais uns dois cigarros nesse período.

Me sentia muito depressivo naquele dia.

O tempo foi passando até que em determinado momento, mais ou menos umas 10:00 horas, senti uma dor muito forte no peito, uma coisa muito ruim, depois fui saber que era a dor da morte.

Levantei da cadeira que estava sentado imediatamente, respirei fundo, mas não passava. Comecei a andar pelo quintal a passos largos, e respirando fundo, mas a coisa estava feia.

Procurei a minha esposa para contar a ela o que estava acontecendo, mas ela estava lá na rua, chamei-a para pedir que me levasse imediatamente ao hospital, e ela muito assustada correu para se trocar e eu também.

Fui para o quarto colocar um sapato e pegar os documentos, telefone celular, chave do carro, e vi a minha carteira de cigarros acompanhada do meu isqueiro de cor branca...... Pensei muito rápido naquela hora, se levaria ou não o cigarro e o isqueiro, cheguei a colocar no bolso, tudo acontecendo muito rápido, tirei o cigarro e o isqueiro do bolso e deixei em casa.

Minha consciencia estava pesada, sabia que aquela dor no peito poderia ser do cigarro, afinal de contas era fumante a mais de 25 anos.

Nos trocamos, peguei o que tinha que pegar, deixei o isqueiro e o cigarro para trás e fomos para o hospital, mas no caminho a dor foi passando, foi passando de uma maneira que em determinado momento já não sentia mais nada.

Disse a minha esposa que a dor ja tinha passado, e ela disse que deveríamos ir assim mesmo ao hospital, pois seria melhor passar por um atendimento médico, o que concordei depois de uma certa insistencia.

Chegando ao hospital, não fui atendido de imediato, já que a dor tinha passado e não fiz pressão para ser atendido imediatamente.

Depois de uma espera aproximada de uns 15 minutos, fui atendido por um médico muito atencioso que estava de plantão. O Médico me perguntou do que se tratava, e eu fui revelando o que tinha se passado comigo.

Disse que tinha sentido uma dor muito forte no peito, que essa dor durou aproximadamente uns 10 minutos, e que foi passando aos poucos até cessar.

O Médico começou a me perguntar sobre a minha vida, e a primeira pergunta que me fez foi se eu fumava. Disse que sim, mais ou menos duas carteiras por dia, me perguntou se eu bebia, disse que sim, mas somente cerveja, mais ou menos umas seis por dia. Me perguntou a idade e mais algumas coisas e disse o seguinte:-

-Olha meu amigo, a dor que você sentiu pode não ser coisa boa não, vamos fazer um Eletrocardiograma para ver como está a sua situação, provavelmente o exame não acusará nada de anormal, pois nesses casos o fato aparece em exame aproximadamente umas seis horas depois do acontecido. Mas de qualquer forma você ficará aqui no hospital em observação até chegar a hora de fazer o próximo Eletro.

E assim foi feito, a enfermeira muito educadamente, chegou perto de mim dizendo que ia fazer o Eletrocardiograma, ligou todos os fios ao meu corpo e efetuou o procedimento do exame.

Terminado o exame, o mesmo foi encaminhado ao médico.

O Médico Plantonista por sua vez chamou um outro Médico de Plantão e conversaram sobre o meu caso, e vieram conversar comigo.

Me disseram que o meu exame deu uma pequena alteração, e que eu deveria ficar internado naquele hospital para posterior exame.

Achei aquela atitude um pouco drástica, já que me sentia muito bem, mas o que poderia fazer? Eles me olhavam como se o meu problema tivesse uma enorme gravidade. Fiquei por entender todas aquelas atitudes, mas concordei em ficar.

O Médico chamou minha esposa para conversar em particular, e imediatamente me internou, me mandou para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva), isso mesmo, eu disse UTI.

Dali para frente não mais vi a minha esposa, já que na UTI não se pode entrar.

Entrei na UTI eram aproximadamente 11:30 hrs, fui chegando e os enfermeiros foram cuidando de me colocar ligado nos aparelhos, medir pressão arterial, colher sangue para exames, dar remédios, soro, injeção e etc.

Dava a impressão que eu era um doente terminal, uma coisa incrível ver todos aqueles profissionais da saúde cuidando de mim. Mas por outro lado me sentia bem, já que aquele hospital me tratara com tanto empenho e dedicação.

Quando o Relógio marcava 12:00 horas (Meio Dia) veio o meu almoço, uma sopinha de macarrão muito gostosa, mas meio sem sal, veio bem pouquinho, que até comi na própria panelinha em que a mesma me foi servida. Me serviram também um suco e uma gelatina, que estava muito boa.

Fiquei por ali sem ter nada para fazer, até que o Médico veio trazer uma revista que encomendei a minha esposa, tinha que ler alguma coisa, pois não podia levantar da cama.

Fiquei lendo essa revista até as 15 horas, até que o enfermeiro veio fazer um novo Eletro para ver como estava o meu estado de saúde. Ligou todos aqueles fios no meu corpo e assim efetuou o procedimento do exame.

O Eletro é um exame muito rápido de ser feito, e assim que terminou o resultado foi levado para apreciação do Médico da UTI.

Fiquei por ali mais um pouco, lendo a minha revista, até que apareceu o Médico e me disse o seguinte:-

-Senhor, dei uma olhada no seu exame, e percebi que o resultado continua o mesmo, existe uma falha pequena no seu coração, mas existe, conversei com outros colegas (Médicos) e chegamos a conclusão que deveremos transferir o senhor para o Hospital do Coração para fazer um exame chamado cateterismo.

Fiquei assustadíssimo com aquela notícia, fiquei sem palavras.

Perguntei ao Médico se aquele procedimento doia. Perguntei se tinha perigo, e perguntei também se o meu problema era leve.

Perguntei se o meu problema era leve, pois fiquei com medo de perguntar se o que eu tinha era grave, já que a atitude de me transferir de hospital me assustou muito.

O Médico me respondeu as perguntas e foi para o lugar dele, e não se passaram 10 minutos e chegou a equipe de transferencia de hospital, chegaram um motorista enfermeiro, outro enfermeiro e um médico.

Eram 16:00 horas e já estava a camino do Hospital do Coração, e o Médico sempre me perguntando se eu estava bem, se estava com falta de ar. Perguntava a todos os momentos como eu me sentia, e eu disse que estava bem, mas eles se olhavam e ficavam por entender.

Hoje fico pensando, eles me levaram de um hospital para o outro sabendo que eu era um paciente de risco, e foram muito bem instruídos do meu problema. Por isso ficaram com aquela atenção toda para comigo.

Imagino a ficha que foi passada:-

Indivíduo Sedentário, Tabagista, Consumidor assíduo de bebida alcóolica, 42 anos, com dores fortes no peito. Encaminhar ao Hospital do Coração para procedimento de Cateterismo.

Não estou dizendo que essa foi a minha ficha, mas seria a ficha correta para descrever a minha pessoa.

Chegando ao Hospital do Coração, já fui encaminhado imediatamente a Unidade de Exames de Cateterismo, chegando lá já fui entrando na sala sem nenhuma fila, ainda pensei comigo, que beleza de atendimento, tudo muito rápido.

O que eu não sabia, é que o meu caso foi passado na frente de outros por ser de urgência, e que aquele setor faz exames o dia inteiro. No momento que cheguei tinha uma pessoa marcada para exame, mas como o meu caso era agudo, foi passado na frente. (Fui saber disso depois)

Eram 16:30 horas quando começou o procedimento de preparo para Cateterismo, as enfermeiras se identificaram e ofereceram a ajuda que eu precisasse, o Médico responsável chegou, se apresentou, me contou o que seria feito e fiquei bastante animado, já que o Médico me passou bastante confiança.

O Exame começou muito bem, uma dor pequena na hora da anestesia, e iniciou-se o procedimento de cateterismo, o corte da veia artéria foi feito na virilha, e através dela foi introduzido o cateter que foi até chegar no coração.

Quando chegou no coração, o Médico foi explicando através de uma televisão todas as partes do coração, foi dizendo que isso é assim, foi dizendo que aquilo funcionava assado e assim por diante, foi dizendo que o cigarro deveria ser esquecido por mim daquela data para frente, pois ele teria sido um dos principais responsáveis por eu estar ali naquele momento.

Me explicou que eu tinha um coração forte e bom, mas devido ao cigarro, uma artéria estava com entupimento de 50%. Me disse também que não seria necessário fazer a chamada Angioplastia, pois o meu tratamento poderia ser clínico.

Ai eu perguntei ao Médico......

Doutor, Porque aquela dor horrível?

Ai ele me explicou que eu tive um infarto que não deu certo, ou seja provavelmente a minha artéria entupiu e logo desentupiu de novo. Me disse também que para cada três episódios desses que aconteceu comigo, um cidadão morre!

Ou seja, escapei por pouco.

O Médico finalizou os procedimentos, me deu os parabéns por ter um coração forte, e disse mais uma vez:- Pare de Fumar Amigo, esqueça o cigarro de hoje em diante. Me desejou boa sorte e me mandou para a UTI do Hospital do Coração.

No caminho da UTI, encontrei minha esposa que me aguardava, ela deu um sorriso e perguntou se estava tudo bem comigo, eu disse que sim, e que estava bem, Graças a Deus! Disse tchau a ela e fui para o meu leito.

Cheguei a UTI por volta das 17:00 horas, e fiquei de repouso forçado, não podia mexer a perna do corte de jeito nenhum. A Enfermeira disse que se essa veia abrisse, o meu sangue se esgotaria todo em poucos minutos.

Pedi para ir ao banheiro, ela riu e disse:- Quer morrer rapaz? Não pode sair dai de jeito nenhum, fica quietinho ai. Ela ofereceu o papagaio para eu fazer xixi, mas não consegui devido a posição. Fiquei tentando por mais ou menos meia hora.

Fiquei ali lendo para passar o tempo, até que por volta das 18 hors chegou o jantar, uma sopa muito boa, mas muito parecida com a do almoço, parece que os dois hospitais combinaram, sopinha deliciosa mas com muito pouco sal. Comi tudo com um apetite danado, afinal de contas já não fumava desde as 9:30 hrs, e quando não se fuma o apetite aumenta consideravelmente.

Acabei de jantar, agradeci a enfermeira e fiquei ali esperando o que pudesse acontecer na sequencia, cheguei até a passar pelo sono, quando fui acordado pelas enfermeiras para o procedimento do curativo da artéria.

Nisso aconteceu o horário de visitas, e as enfermeiras foram surpreendidas pela chegada da minha esposa e filha. Muito educadamente pediram que elas não ficassem muito tempo, pois iriam iniciar o curativo, o que foi prontamente atendido por minha família.

Quando a minha família foi embora, começou o curativo:-

1a. Etapa

A Enfermeira pegou uma escadinha, e colocou ao lado da cama, tirou o curativo e começou a pressionar com o seu peso o meu corte para baixo, ficou fazendo uma força danada durante mais ou menos uns 30 minutos. Foi desconfortável, mas não doeu.

2a. Etapa

A Enfermeira pegou um aparelho parecido com uma morsa, colocou a base na cama e a outra em cima do ferimento, apertou e deixou ali por aproximadamente 40 minutos. Foi também desconfortável, mas também não doeu.

3a. Etata

A Enfermeira trouxe um saco com areia com peso de 2 kgs, colocou em cima do corte e me falou que deveria ficar com aquilo ali pelo período de 6 horas. Apesar de mais demorada essa etapa foi melhor, o desconforto foi menor.

Eram aproximadamente 22 horas quando ela me entregou o saco de areia, disse que teria que ficar até as 4:00 horas. Fiquei tranquilo, e cheguei até a dormir um pouco.

Por volta das 23:30 horas chegou a ambulancia que me mandaria de volta ao hospital de orígem, os enfermeiros eram outros, mas o Médico era o mesmo. Fiquei feliz por ve-lo de novo, me despedi das enfermeiras, agradeci muito a todas elas e eles me levaram até ao carro que me levaria de volta.

No caminho fomos conversando, o Médico me pareceu mais descontraído, acho que ele estava assustado quando fui para o Hospital do Coração, mas no retorno percebendo que não tinha acontecido nada, até ele ficou mais aliviado.

Cheguei no Hospital de orígem e o pessoal da UTI já me esperava, agradeci a equipe do resgate e fui acomodado na mesma cama que estava na parte da manhã. Estava sozinho naquela unidade, quando fui informado que seria internado um outro paciente.

Paciente esse muito especial por sinal, um médico aposentado com 82 anos de idade.

Quando chegou o paciente Médico, todos da UTI vieram dar boas vindas, todos queriam falar boa noite ao Doutor, fiquei observando como um Médico trata de outro Médico. Muito interessante. Um diz uma coisa e o outro rebate, o outro diz outra e o outro diz também e ficou assim por uns 45 minutos.

Por ser bastante comunicativo, logo fiz amizade com o Médico, ele me contou várias partes de sua vida e eu também contei muitas coisas a ele, e acabamos virando amigos.

Enquanto conversávamos, escutávamos uma pessoa gritando sem parar, parecia que sentia muitas dores, essa pessoa estava na UTI mas em um outro quarto diferente, mas escutávamos bem os seus gritos e dava para perceber o seu sofrimento.

Lá pelas tantas da madrugada, depois de muitos gritos e gemidos, o Médico perguntou para a enfermeira o que aquele pobre coitado tinha, que não parava de gritar. Para meu espanto a enfermeira disse que ele teria fumado muito durante a vida, e agora estava doente do pulmão e já estaria nas últimas quase para morrer.

Meu Deus! Que horror! Fiquei pasmo.

O Doutor doente que já sabia do meu problema, deu somentente uma olhada para mim sem dizer nada.

Aqueles gritos e gemidos entraram na minha cabeça de uma tal forma, que fiquei sendo torturado o resto da noite por eles. Aquilo me consumia. Em alguns momentos aquele pobre coitado dormia uns dez minutos e gritava outros 30 minutos. Assim passou o restante da noite.

Quando amanheceu, o Doutor doente dizia que iria embora naquele dia, e eu fiquei quieto, não sabia de mais nada, depois de ter conhecido duas UTIS num dia só, achei que estava ainda no lucro de ter voltado para o hospital de orígem.

Veio o café da manhã, um pão tipo brioche e um Chá gelado, o pão estava ótimo, mas o Chá...... Não gosto de Chá quente, imagina gelado, ai ai ai....... Mas também não via razões para reclamar, só queria agradecer de não ter um problema maior.

Vieram os Médicos, foram conversar primeiro com o Doutor doente, disseram a ele que iriam trocar algumas ideias para definir o futuro dele, ele ficou meio aborrecido mas concordou.

Vieram conversar comigo, disseram que o meu caso inspirava cuidados, mas não era grave, que deveria procurar um médico na próxima semana para uma consulta.

Ai eu perguntei como deveria ser a minha vida......

E o Médico respondeu........

O Médico disse assim que eu parasse de fumar imediatamente.
Disse para eu não bebesse tantas cervejas.
Disse para eu ter uma alimentação mais controlada.

Mas a primeira coisa que disse foi:-

Pare de Fumar Imediatamente!

Era dia 18/09/2009, mais ou menos 8:00 horas, recebi alta hospitalar, me despedi de todos os Médicos e Enfermeiros, e sai da UTI.

A Enfermeira me levou até na portaria de Cadeira de Rodas, pois a minha esposa já me esperava para me levar de volta para casa.

Quando cheguei lá na portaria e vi a luz do sol, acreditem, lembrei do cigarro.

Num ato mecânico, coloquei a mão no bolso procurando o cigarro, que coisa...... Só que na mesma hora lembrei que já tinha parado de fumar.

Me lembrei daquele rapaz que gritava sem parar na UTI. Aquele sofrimento vai ficar na minha cabeça a vida inteira.


quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Progresso do organismo quando se para de fumar........

-Após 20 minutos: a pressão arterial e a pulsação cardíaca voltam ao normal.

-Após 2 horas: não há mais nicotina circulando no sangue.

-Após 8 horas: o nível de oxigênio no sangue se normaliza.

-Após 3 dias: o olfato e o paladar melhoram significativamente.

-Após 3 semanas: melhora nítida da respiração e da circulação(torna-se mais fácil subirescadas, ladeiras, correr; atenua-se a dor, o inchaço e o cansaço nas pernas).

-Após 1 ano: o risco de morte por infarto reduz pela metade.

- após 5 anos: o risco de câncer de esôfago reduz pela metade.

-Após 10 anos: o risco de câncer de pulmão fica reduzido entre 50 a 70% em relação aos fumantes.

-Após 15 anos: o risco de doenças vasculares e infarto iguala-se ao dos indivíduos que nunca fumaram.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Tabagismo passivo

Define-se tabagismo passivo como a inalação da fumaça de derivados do tabaco (cigarro, charuto, cigarrilhas, cachimbo e outros produtores de fumaça) por indivíduos não-fumantes, que convivem com fumantes em ambientes fechados.

A fumaça dos derivados do tabaco em ambientes fechados é denominada poluição tabagística ambiental (PTA) e, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), torna-se ainda mais grave em ambientes fechados.

O tabagismo passivo é a 3ª maior causa de morte evitável no mundo, subseqüente ao tabagismo ativo e ao consumo excessivo de álcool (IARC, 1987; Surgeon General, 1986; Glantz, 1995). O ar poluído contém, em média, três vezes mais nicotina, três vezes mais monóxido de carbono, e até cinqüenta vezes mais substâncias cancerígenas do que a fumaça que entra pela boca do fumante depois de passar pelo filtro do cigarro.

A absorção da fumaça do cigarro por aqueles que convivem em ambientes fechados com fumantes causa:

1 - Em adultos não-fumantes:

• Maior risco de doença por causa do tabagismo, proporcionalmente ao tempo de exposição à fumaça;

• Um risco 30% maior de câncer de pulmão e 24% maior de infarto do coração do que os não-fumantes que não se expõem.

2 - Em crianças:

• Maior freqüência de resfriados e infecções do ouvido médio;

• Risco maior de doenças respiratórias como pneumonia, bronquites e exarcebação da asma.

3 - Em bebês:

• Um risco 5 vezes maior de morrerem subitamente sem uma causa aparente (Síndrome da Morte Súbita Infantil);

• Maior risco de doenças pulmonares até 1 ano de idade, proporcionalmente ao número de fumantes em casa.Fumantes passivos também sofrem os efeitos imediatos da poluição tabagística ambiental, tais como, irritação nos olhos, manifestações nasais, tosse, cefaléia, aumento de problemas alérgicos, principalmente das vias respiratórias e aumento dos problemas cardíacos, principalmente elevação da pressão arterial e angina (dor no peito).

Outros efeitos a médio e longo prazo são a redução da capacidade funcional respiratória (o quanto o pulmão é capaz de exercer a sua função), aumento do risco de ter aterosclerose e aumento do número de infecções respiratórias em crianças.

Os dois componentes principais da poluição tabagística ambiental (PTA) são a fumaça exalada pelo fumante (corrente primária) e a fumaça que sai da ponta do cigarro (corrente secundária).

Sendo, esta última o principal componente da PTA, pois em 96% do tempo total da queima dos derivados do tabaco ela é formada.

Porém, algumas substâncias, como nicotina, monóxido de carbono, amônia, benzeno, nitrosaminas e outros carcinógenos podem ser encontradas em quantidades mais elevadas.

Isto porque não são filtradas e devido ao fato de que os cigarros queimam em baixa temperatura, tornando a combustão incompleta (IARC, 1987).

Em uma análise feita pelo INCA, em 1996, em cinco marcas de cigarros comercializados no Brasil, verificou-se níveis duas 2 vezes maiores de alcatrão, 4,5 vezes maiores de nicotina e 3,7 vezes maiores de monóxido de carbono na fumaça que sai da ponta do cigarro do que na fumaça exalada pelo fumante.

Os níveis de amônia na corrente secundária chegaram a ser 791 vezes superior que na corrente primária. A amônia alcaliniza a fumaça do cigarro, contribuindo assim para uma maior absorção de nicotina pelos fumantes, tornando-os mais dependentes da droga e é, também, o principal componente irritante da fumaça do tabaco (Ministério da Saúde, 1996).

Tabagismo no mundo

O tabagismo é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a principal causa de morte evitável em todo o mundo.

A OMS estima que um terço da população mundial adulta, isto é, 1 bilhão e 200 milhões de pessoas (entre as quais 200 milhões de mulheres), sejam fumantes.

Pesquisas comprovam que aproximadamente 47% de toda a população masculina e 12% da população feminina no mundo fumam.

Enquanto nos países em desenvolvimento os fumantes constituem 48% da população masculina e 7% da população feminina, nos países desenvolvidos a participação das mulheres mais do que triplica: 42% dos homens e 24% das mulheres têm o comportamento de fumar.

O total de mortes devido ao uso do tabaco atingiu a cifra de 4,9 milhões de mortes anuais, o que corresponde a mais de 10 mil mortes por dia. Caso as atuais tendências de expansão do seu consumo sejam mantidas, esses números aumentarão para 10 milhões de mortes anuais por volta do ano 2030, sendo metade delas em indivíduos em idade produtiva (entre 35 e 69 anos) (WHO, 2003).

O INCA desenvolve papel importante como Centro Colaborador da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o Programa "Tabaco ou Saúde" na América Latina, cujo objetivo é estimular e apoiar políticas e atividades controle do tabagismo nessa região, e no apoio à elaboração da Convenção Quadro para o Controle do Tabaco, idealizada pela OMS para estabelecer padrões de controle do tabagismo em todo o mundo.

Jovens e mulheres na mira da indústria do tabaco

A promoção e o marketing de produtos derivados do tabaco junto ao público jovem são essenciais para que a indústria do fumo consiga manter e expandir suas vendas.

O tabaco é a segunda droga mais consumida entre os jovens, no mundo e no Brasil, e isso se deve às facilidades e estímulos para obtenção do produto, entre eles o baixo custo.

A isto somam-se a promoção e publicidade, que associam o tabaco às imagens de beleza, sucesso, liberdade, poder, inteligência e outros atributos desejados especialmente pelos jovens.

A divulgação dessas idéias ao longo dos anos tornou o hábito de fumar um comportamento socialmente aceitável e até positivo.

A prova disso é que 90% dos fumantes começam a fumar antes dos 19 anos de idade.

Seduzir os jovens faz parte de uma estratégia adotada por todas as companhias de tabaco visando reabastecer as fileiras daqueles que deixam de fumar ou morrem, por outros consumidores que serão aqueles regulares de amanhã.

Nos arquivos secretos oriundos de documentos internos de grandes empresas transnacionais do tabaco, finalmente revelados durante uma ação judicial movida contra elas por estados norte-americanos crianças e jovens são descritos como "reservas de reabastecimento" e um dos principais alvos estratégicos, devendo se tornar dependentes do cigarro ainda cedo.

Além disso, os documentos comprovam que, apesar de a indústria do tabaco se posicionar publicamente de uma forma, suas verdadeiras intenções são completamente opostas. Veja alguns exemplos:

"Eles representam o negócio de cigarros amanhã. À medida que o grupo etário de 14 a 24 anos amadurece, ele se tornará a parte chave do volume total de cigarros, no mínimo pelos próximos 25 anos."J. W. Hind, R.J. Reynolds Tobacco, internal memorandum, 23rd January 1975

"Atingir o jovem pode ser mais eficiente mesmo que o custo para atingí-los seja maior, porque eles estão desejando experimentar, eles têm mais influência sobre os outros da sua idade do que eles terão mais tarde, e porque eles são muito mais leais à sua primeira marca."Escrito por um executivo da Philip Morris em 1957

Após a divulgação desses documentos e principalmente dos recentes avanços alcançados pela saúde pública no controle do tabagismo, a indústria fumígena passou a adotar um discurso conciliador visando reconstruir sua imagem.

Essa nova estratégia inclui o reconhecimento, em parte, dos riscos associados com o tabagismo, o desejo de diálogo, a abertura para regulamentações "racionais" e o envolvimento com projetos sociais para transmitir ao público a idéia de empenho pelas causas sociais como o combate à pobreza, ao trabalho infantil e ao analfabetismo, além da defesa do meio ambiente.

Em 2003, a Souza Cruz foi premiada pela Câmera Municipal de São Paulo pela "atuação socialmente responsável" da companhia.

Por esses esforços, fica a impressão de que a indústria do tabaco é contra o consumo do tabaco entre os jovens e promove medidas supostamente dirigidas para prevenir o tabagismo para menores de idade, criando campanhas e utilizando a idéia de que "fumar é para adultos".

Porém, na verdade, ao apresentar o cigarro como "adulto" e "proibido", essas companhias buscam colocar sutilmente um importante ingrediente para reforçar o comportamento rebelde do adolescente, pois entre as principais motivações para o adolescente fumar são o desejo de se afirmar como adulto, sua rebeldia e a rejeição dos valores dos seus pais.

Essas estratégias funcionam de forma favorável aos interesses econômicos da indústria do tabaco.

São estratégias contraditórias, pois não mudam o interesse dos jovens em consumir cigarros nem reduzem o consumo do tabaco entre eles e ao mesmo tempo beneficiam o setor tabageiro.

O Estudo Global do Tabagismo entre os Jovens, realizado pela OMS em 46 países, revelou um quadro alarmante de dependência prematura.

Em algumas áreas da Polônia, de Zimbábue e da China, crianças de 10 anos de idade já estão dependentes do tabaco.

Os adolescentes globalizados em Nova Iorque, Lagos e Pequim são vistos como alvos fáceis pelas multinacionais do tabaco.

Tendo em vista que as marcas globais são veiculadas na propaganda como um estilo de vida a ser almejado, elas tendem a ser consumidas em larga escala, levando metade de seus usuários habituais à morte.

No Brasil este mesmo estudo foi realizado entre escolares de 12 capitais brasileiras, nos anos de 2002 e 2003, e encontrou uma prevalência de experimentação variando de 36 a 58% no sexo masculino e de 31 a 55% no sexo feminino, entre as cidades.

De acordo com o mesmo estudo brasileiro, a prevalência de escolares fumantes atuais variou de 11 a 27% no sexo masculino e 9 a 24% no feminino.

Mulher e tabaco

Com a participação cada vez maior da mulher no mercado de trabalho seu papel social também foi se alterando rapidamente.

A mulher passou a ter mais poder, tanto aquisitivo, quanto de decisão, dentro da própria sociedade, onde já exercia um papel fundamental de modelo de comportamento para seus filhos.

Em decorrência de todas essas mudanças, a mulher tornou-se um dos alvos prediletos da publicidade da indústria do tabaco, que passou a divulgar o cigarro como símbolo de emancipação e independência.

Isto fez e continua fazendo com que o número de fumantes, principalmente entre o sexo feminino, aumente na América Latina.

No Brasil, outro estudo, realizado em 1997 entre estudantes de 10 capitais brasileiras, mostrou que, em pelo menos sete capitais, as meninas vêm experimentando cigarros em maior proporção que os meninos.

A participação das mulheres no número de fumantes vem aumentando, sobretudo nas faixas etárias mais jovens.

Até algumas décadas atrás, acreditava-se que os efeitos da dependência do tabaco era mais forte nos homens, mas à medida que novas gerações de fumantes foram chegando verificou-se que, as mulheres são igualmente ou mais suscetíveis aos malefícios do fumo, devido às peculiaridades próprias do sexo, como a gestação e o uso da pílula anticoncepcional.

A mulher fumante tem um risco maior de infertilidade, câncer de colo de útero, menopausa precoce (em média 2 anos antes) e dismenorréia (sangramento irregular).

Fonte:-

http://www.inca.gov.br/

domingo, 13 de setembro de 2009