quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Dia 17/09/2009 - O Dia

No dia 17/09/2009, uma quinta feira, levantei de minha cama eram aproximadamente umas 7:30 horas.

Tenho costume de levantar e tomar banho, mas naquele dia, apenas lavei o rosto, escovei os dentes, me troquei, passei pela cozinha tomei um café prêto (companheirão do cigarro) e fui para meu escritório olhar os meus E-mails.

Sentei em frente ao meu computador, acendi um cigarro, dei umas belas tragadas e comecei o meu dia, eram aproximadamente umas 8:00 horas.

O tempo foi passando, olhei os meus E-mails, respondi aqueles que tinha de responder, apaguei aqueles E-mails de propaganda e de virús, dei uma passadinha nas notícias do dia, e com certeza fumei mais uns dois cigarros nesse período.

Me sentia muito depressivo naquele dia.

O tempo foi passando até que em determinado momento, mais ou menos umas 10:00 horas, senti uma dor muito forte no peito, uma coisa muito ruim, depois fui saber que era a dor da morte.

Levantei da cadeira que estava sentado imediatamente, respirei fundo, mas não passava. Comecei a andar pelo quintal a passos largos, e respirando fundo, mas a coisa estava feia.

Procurei a minha esposa para contar a ela o que estava acontecendo, mas ela estava lá na rua, chamei-a para pedir que me levasse imediatamente ao hospital, e ela muito assustada correu para se trocar e eu também.

Fui para o quarto colocar um sapato e pegar os documentos, telefone celular, chave do carro, e vi a minha carteira de cigarros acompanhada do meu isqueiro de cor branca...... Pensei muito rápido naquela hora, se levaria ou não o cigarro e o isqueiro, cheguei a colocar no bolso, tudo acontecendo muito rápido, tirei o cigarro e o isqueiro do bolso e deixei em casa.

Minha consciencia estava pesada, sabia que aquela dor no peito poderia ser do cigarro, afinal de contas era fumante a mais de 25 anos.

Nos trocamos, peguei o que tinha que pegar, deixei o isqueiro e o cigarro para trás e fomos para o hospital, mas no caminho a dor foi passando, foi passando de uma maneira que em determinado momento já não sentia mais nada.

Disse a minha esposa que a dor ja tinha passado, e ela disse que deveríamos ir assim mesmo ao hospital, pois seria melhor passar por um atendimento médico, o que concordei depois de uma certa insistencia.

Chegando ao hospital, não fui atendido de imediato, já que a dor tinha passado e não fiz pressão para ser atendido imediatamente.

Depois de uma espera aproximada de uns 15 minutos, fui atendido por um médico muito atencioso que estava de plantão. O Médico me perguntou do que se tratava, e eu fui revelando o que tinha se passado comigo.

Disse que tinha sentido uma dor muito forte no peito, que essa dor durou aproximadamente uns 10 minutos, e que foi passando aos poucos até cessar.

O Médico começou a me perguntar sobre a minha vida, e a primeira pergunta que me fez foi se eu fumava. Disse que sim, mais ou menos duas carteiras por dia, me perguntou se eu bebia, disse que sim, mas somente cerveja, mais ou menos umas seis por dia. Me perguntou a idade e mais algumas coisas e disse o seguinte:-

-Olha meu amigo, a dor que você sentiu pode não ser coisa boa não, vamos fazer um Eletrocardiograma para ver como está a sua situação, provavelmente o exame não acusará nada de anormal, pois nesses casos o fato aparece em exame aproximadamente umas seis horas depois do acontecido. Mas de qualquer forma você ficará aqui no hospital em observação até chegar a hora de fazer o próximo Eletro.

E assim foi feito, a enfermeira muito educadamente, chegou perto de mim dizendo que ia fazer o Eletrocardiograma, ligou todos os fios ao meu corpo e efetuou o procedimento do exame.

Terminado o exame, o mesmo foi encaminhado ao médico.

O Médico Plantonista por sua vez chamou um outro Médico de Plantão e conversaram sobre o meu caso, e vieram conversar comigo.

Me disseram que o meu exame deu uma pequena alteração, e que eu deveria ficar internado naquele hospital para posterior exame.

Achei aquela atitude um pouco drástica, já que me sentia muito bem, mas o que poderia fazer? Eles me olhavam como se o meu problema tivesse uma enorme gravidade. Fiquei por entender todas aquelas atitudes, mas concordei em ficar.

O Médico chamou minha esposa para conversar em particular, e imediatamente me internou, me mandou para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva), isso mesmo, eu disse UTI.

Dali para frente não mais vi a minha esposa, já que na UTI não se pode entrar.

Entrei na UTI eram aproximadamente 11:30 hrs, fui chegando e os enfermeiros foram cuidando de me colocar ligado nos aparelhos, medir pressão arterial, colher sangue para exames, dar remédios, soro, injeção e etc.

Dava a impressão que eu era um doente terminal, uma coisa incrível ver todos aqueles profissionais da saúde cuidando de mim. Mas por outro lado me sentia bem, já que aquele hospital me tratara com tanto empenho e dedicação.

Quando o Relógio marcava 12:00 horas (Meio Dia) veio o meu almoço, uma sopinha de macarrão muito gostosa, mas meio sem sal, veio bem pouquinho, que até comi na própria panelinha em que a mesma me foi servida. Me serviram também um suco e uma gelatina, que estava muito boa.

Fiquei por ali sem ter nada para fazer, até que o Médico veio trazer uma revista que encomendei a minha esposa, tinha que ler alguma coisa, pois não podia levantar da cama.

Fiquei lendo essa revista até as 15 horas, até que o enfermeiro veio fazer um novo Eletro para ver como estava o meu estado de saúde. Ligou todos aqueles fios no meu corpo e assim efetuou o procedimento do exame.

O Eletro é um exame muito rápido de ser feito, e assim que terminou o resultado foi levado para apreciação do Médico da UTI.

Fiquei por ali mais um pouco, lendo a minha revista, até que apareceu o Médico e me disse o seguinte:-

-Senhor, dei uma olhada no seu exame, e percebi que o resultado continua o mesmo, existe uma falha pequena no seu coração, mas existe, conversei com outros colegas (Médicos) e chegamos a conclusão que deveremos transferir o senhor para o Hospital do Coração para fazer um exame chamado cateterismo.

Fiquei assustadíssimo com aquela notícia, fiquei sem palavras.

Perguntei ao Médico se aquele procedimento doia. Perguntei se tinha perigo, e perguntei também se o meu problema era leve.

Perguntei se o meu problema era leve, pois fiquei com medo de perguntar se o que eu tinha era grave, já que a atitude de me transferir de hospital me assustou muito.

O Médico me respondeu as perguntas e foi para o lugar dele, e não se passaram 10 minutos e chegou a equipe de transferencia de hospital, chegaram um motorista enfermeiro, outro enfermeiro e um médico.

Eram 16:00 horas e já estava a camino do Hospital do Coração, e o Médico sempre me perguntando se eu estava bem, se estava com falta de ar. Perguntava a todos os momentos como eu me sentia, e eu disse que estava bem, mas eles se olhavam e ficavam por entender.

Hoje fico pensando, eles me levaram de um hospital para o outro sabendo que eu era um paciente de risco, e foram muito bem instruídos do meu problema. Por isso ficaram com aquela atenção toda para comigo.

Imagino a ficha que foi passada:-

Indivíduo Sedentário, Tabagista, Consumidor assíduo de bebida alcóolica, 42 anos, com dores fortes no peito. Encaminhar ao Hospital do Coração para procedimento de Cateterismo.

Não estou dizendo que essa foi a minha ficha, mas seria a ficha correta para descrever a minha pessoa.

Chegando ao Hospital do Coração, já fui encaminhado imediatamente a Unidade de Exames de Cateterismo, chegando lá já fui entrando na sala sem nenhuma fila, ainda pensei comigo, que beleza de atendimento, tudo muito rápido.

O que eu não sabia, é que o meu caso foi passado na frente de outros por ser de urgência, e que aquele setor faz exames o dia inteiro. No momento que cheguei tinha uma pessoa marcada para exame, mas como o meu caso era agudo, foi passado na frente. (Fui saber disso depois)

Eram 16:30 horas quando começou o procedimento de preparo para Cateterismo, as enfermeiras se identificaram e ofereceram a ajuda que eu precisasse, o Médico responsável chegou, se apresentou, me contou o que seria feito e fiquei bastante animado, já que o Médico me passou bastante confiança.

O Exame começou muito bem, uma dor pequena na hora da anestesia, e iniciou-se o procedimento de cateterismo, o corte da veia artéria foi feito na virilha, e através dela foi introduzido o cateter que foi até chegar no coração.

Quando chegou no coração, o Médico foi explicando através de uma televisão todas as partes do coração, foi dizendo que isso é assim, foi dizendo que aquilo funcionava assado e assim por diante, foi dizendo que o cigarro deveria ser esquecido por mim daquela data para frente, pois ele teria sido um dos principais responsáveis por eu estar ali naquele momento.

Me explicou que eu tinha um coração forte e bom, mas devido ao cigarro, uma artéria estava com entupimento de 50%. Me disse também que não seria necessário fazer a chamada Angioplastia, pois o meu tratamento poderia ser clínico.

Ai eu perguntei ao Médico......

Doutor, Porque aquela dor horrível?

Ai ele me explicou que eu tive um infarto que não deu certo, ou seja provavelmente a minha artéria entupiu e logo desentupiu de novo. Me disse também que para cada três episódios desses que aconteceu comigo, um cidadão morre!

Ou seja, escapei por pouco.

O Médico finalizou os procedimentos, me deu os parabéns por ter um coração forte, e disse mais uma vez:- Pare de Fumar Amigo, esqueça o cigarro de hoje em diante. Me desejou boa sorte e me mandou para a UTI do Hospital do Coração.

No caminho da UTI, encontrei minha esposa que me aguardava, ela deu um sorriso e perguntou se estava tudo bem comigo, eu disse que sim, e que estava bem, Graças a Deus! Disse tchau a ela e fui para o meu leito.

Cheguei a UTI por volta das 17:00 horas, e fiquei de repouso forçado, não podia mexer a perna do corte de jeito nenhum. A Enfermeira disse que se essa veia abrisse, o meu sangue se esgotaria todo em poucos minutos.

Pedi para ir ao banheiro, ela riu e disse:- Quer morrer rapaz? Não pode sair dai de jeito nenhum, fica quietinho ai. Ela ofereceu o papagaio para eu fazer xixi, mas não consegui devido a posição. Fiquei tentando por mais ou menos meia hora.

Fiquei ali lendo para passar o tempo, até que por volta das 18 hors chegou o jantar, uma sopa muito boa, mas muito parecida com a do almoço, parece que os dois hospitais combinaram, sopinha deliciosa mas com muito pouco sal. Comi tudo com um apetite danado, afinal de contas já não fumava desde as 9:30 hrs, e quando não se fuma o apetite aumenta consideravelmente.

Acabei de jantar, agradeci a enfermeira e fiquei ali esperando o que pudesse acontecer na sequencia, cheguei até a passar pelo sono, quando fui acordado pelas enfermeiras para o procedimento do curativo da artéria.

Nisso aconteceu o horário de visitas, e as enfermeiras foram surpreendidas pela chegada da minha esposa e filha. Muito educadamente pediram que elas não ficassem muito tempo, pois iriam iniciar o curativo, o que foi prontamente atendido por minha família.

Quando a minha família foi embora, começou o curativo:-

1a. Etapa

A Enfermeira pegou uma escadinha, e colocou ao lado da cama, tirou o curativo e começou a pressionar com o seu peso o meu corte para baixo, ficou fazendo uma força danada durante mais ou menos uns 30 minutos. Foi desconfortável, mas não doeu.

2a. Etapa

A Enfermeira pegou um aparelho parecido com uma morsa, colocou a base na cama e a outra em cima do ferimento, apertou e deixou ali por aproximadamente 40 minutos. Foi também desconfortável, mas também não doeu.

3a. Etata

A Enfermeira trouxe um saco com areia com peso de 2 kgs, colocou em cima do corte e me falou que deveria ficar com aquilo ali pelo período de 6 horas. Apesar de mais demorada essa etapa foi melhor, o desconforto foi menor.

Eram aproximadamente 22 horas quando ela me entregou o saco de areia, disse que teria que ficar até as 4:00 horas. Fiquei tranquilo, e cheguei até a dormir um pouco.

Por volta das 23:30 horas chegou a ambulancia que me mandaria de volta ao hospital de orígem, os enfermeiros eram outros, mas o Médico era o mesmo. Fiquei feliz por ve-lo de novo, me despedi das enfermeiras, agradeci muito a todas elas e eles me levaram até ao carro que me levaria de volta.

No caminho fomos conversando, o Médico me pareceu mais descontraído, acho que ele estava assustado quando fui para o Hospital do Coração, mas no retorno percebendo que não tinha acontecido nada, até ele ficou mais aliviado.

Cheguei no Hospital de orígem e o pessoal da UTI já me esperava, agradeci a equipe do resgate e fui acomodado na mesma cama que estava na parte da manhã. Estava sozinho naquela unidade, quando fui informado que seria internado um outro paciente.

Paciente esse muito especial por sinal, um médico aposentado com 82 anos de idade.

Quando chegou o paciente Médico, todos da UTI vieram dar boas vindas, todos queriam falar boa noite ao Doutor, fiquei observando como um Médico trata de outro Médico. Muito interessante. Um diz uma coisa e o outro rebate, o outro diz outra e o outro diz também e ficou assim por uns 45 minutos.

Por ser bastante comunicativo, logo fiz amizade com o Médico, ele me contou várias partes de sua vida e eu também contei muitas coisas a ele, e acabamos virando amigos.

Enquanto conversávamos, escutávamos uma pessoa gritando sem parar, parecia que sentia muitas dores, essa pessoa estava na UTI mas em um outro quarto diferente, mas escutávamos bem os seus gritos e dava para perceber o seu sofrimento.

Lá pelas tantas da madrugada, depois de muitos gritos e gemidos, o Médico perguntou para a enfermeira o que aquele pobre coitado tinha, que não parava de gritar. Para meu espanto a enfermeira disse que ele teria fumado muito durante a vida, e agora estava doente do pulmão e já estaria nas últimas quase para morrer.

Meu Deus! Que horror! Fiquei pasmo.

O Doutor doente que já sabia do meu problema, deu somentente uma olhada para mim sem dizer nada.

Aqueles gritos e gemidos entraram na minha cabeça de uma tal forma, que fiquei sendo torturado o resto da noite por eles. Aquilo me consumia. Em alguns momentos aquele pobre coitado dormia uns dez minutos e gritava outros 30 minutos. Assim passou o restante da noite.

Quando amanheceu, o Doutor doente dizia que iria embora naquele dia, e eu fiquei quieto, não sabia de mais nada, depois de ter conhecido duas UTIS num dia só, achei que estava ainda no lucro de ter voltado para o hospital de orígem.

Veio o café da manhã, um pão tipo brioche e um Chá gelado, o pão estava ótimo, mas o Chá...... Não gosto de Chá quente, imagina gelado, ai ai ai....... Mas também não via razões para reclamar, só queria agradecer de não ter um problema maior.

Vieram os Médicos, foram conversar primeiro com o Doutor doente, disseram a ele que iriam trocar algumas ideias para definir o futuro dele, ele ficou meio aborrecido mas concordou.

Vieram conversar comigo, disseram que o meu caso inspirava cuidados, mas não era grave, que deveria procurar um médico na próxima semana para uma consulta.

Ai eu perguntei como deveria ser a minha vida......

E o Médico respondeu........

O Médico disse assim que eu parasse de fumar imediatamente.
Disse para eu não bebesse tantas cervejas.
Disse para eu ter uma alimentação mais controlada.

Mas a primeira coisa que disse foi:-

Pare de Fumar Imediatamente!

Era dia 18/09/2009, mais ou menos 8:00 horas, recebi alta hospitalar, me despedi de todos os Médicos e Enfermeiros, e sai da UTI.

A Enfermeira me levou até na portaria de Cadeira de Rodas, pois a minha esposa já me esperava para me levar de volta para casa.

Quando cheguei lá na portaria e vi a luz do sol, acreditem, lembrei do cigarro.

Num ato mecânico, coloquei a mão no bolso procurando o cigarro, que coisa...... Só que na mesma hora lembrei que já tinha parado de fumar.

Me lembrei daquele rapaz que gritava sem parar na UTI. Aquele sofrimento vai ficar na minha cabeça a vida inteira.


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